Bolo de chocolate (molhadinho) com cobertura

Tá de dieta? Então já vou logo pedindo desculpas pela foto aí de cima e também já vou avisando que esse post é calórico só de ler. Desculpa ae :)

Estava chovendo, eu queria um docinho, o chocolate estava no armário, eu tinha um cadinho de disposição… pronto! Fui bater bolo, oras bolas! Quer dizer, bater não é bem a palavra porque esse aqui é de liquidificador, assim ó…

Coloque no liquidificador 3 ovos, 1/2 xícara de óleo de girassol e 1 xícara de chá de leite e bata uns cinco minutinhos. Numa tigela misture 2 xícaras de farinha de trigo, 1 xícara de açucar, 1 xícara de chocolate em pó, 1 colher sopa de fermento em pó e uma colherinha de café de sal. Mistura todos esses secos bem e comece a incorporar a mistura batida no liquidificador, mexendo bem. Pronto!

É só untar e enfarinhar a fôrma, colocar a massa e levar ao forno médio pré-aquecido por uns 40 minutos ou até passar pelo teste do palito.

:: gordices extreme ::

Depois de desenformar, faça furinhos no bolo e regue com uma misturinha de leite de coco, leite e açucar pra deixar o bolo beeeeem molhadinho e tchubi-tchubi :)

Numa panelinha faça uma espécie de brigadeiro mole com leite condensado, manteiga, chocolate em pó e creme de leite… cozinhe até engrossar e use para cobrir o bolo.

Gente, num é que tô virando boleira? Fabiana, Fabiana… quem te viu e quem te vê, hein? ;))))


Porque quem tá na chuva, é pra se molhar! :)

Bolo de limão com sementinhas proibidas :)

Antes que o pelotão da moral baixe por aqui, as sementinhas proibidas do título são apenas inofensivas papoulas, ok? E a comercialização delas nem é proibida no Brasil, como eu achava que era até escrever esse post, mas parece que a burocracia para importá-la é tão grande, mas tão grande (Ah, vá, burocracia? no Brasil? que estranho!) que elas sumiram (saca o naipe: As importadoras precisam acatar regras como a apresentação de um documento no qual conste que as sementes vêm de cultivos lícitos e provas de que se tratam de sementes sem capacidade germinativa, ausentes de entorpecentes e não-oriundas de apreensões. fonte: IG)

Burocracias à parte, o que importa é que esse bolinho é daqueles simples, pra tomar com café quentinho. Claro que você também pode deixá-lo glam fazendo uma cobertura de limão com açúcar de confeiteiro ou quem sabe uma geleia escândalo, que nem a de Mirtillo da Casa de Madeira. Enfim, simples ou sofisticado, com ou sem papoula, o bolo é uma delícia – fofinho, fofinho e ultré macio. Pode se jogar…

Na batedeira – 5 gemas, 200gr de manteiga 2 xícaras de açucar. Bate até ficar clarinho e bem homogêneo. Depois, junta 1/3 xícara de suco de limão (se quiser mais azedinho, seja mais generosa), 1/3 xícara de leite, 2 xícaras de farinha de trigo e uma colher de fermento e bate mais. No final, junta as 5 claras batidas em neve e mistura tudo delicadamente (tá ligada que não pode misturar a clara em neve como se fosse argamassa né? ok). Coloca a massa em uma fôrma untada e enfarinhada e leva ao forno médio pré-aquecido por uns 30 minutos ou até passar pelo teste do palito.

Viu? Sem truque, nem segredo :)

Ah sim! Antes de colocar a massa na fôrma eu juntei uma colher de sopa de sementes de papoula e misturei, só pra dar um charminho e usar meu pequeno estoque da ex-proibidona e agora foragida.

U-hu! Tô muito transgressora nesse 2013 :)

Torta de chocolate e nozes

Receita da revista Claudia, que eu segui à risca e que fez o maior sucesso entre a ala formigona da família. Embora a ganache de chocolate meio amargo quebre um pouco o doce do caramelo de nozes, ainda assim trata-se de uma sobremesa bem doce. Teve gente que disse que foi a melhor torta que já comeu na vida (né Fábio?), de modos que se você, leitora amiga, curte um doce poderoso, acho que essa é a sua torta.

No processador bata 1 1/2 xicara de farinha de trigo com 100gr de nozes moídas e 1/2 colher (chá) de sal. Junte 1/3 xícara de açucar de confeiteiro, 1/2 xícara de manteiga em temperatura ambiente e 1 ovo. Pulse rapidamente. Amasse até formar um disco e leve para gelar, embrulhado em filme plástico por 30 minutos.

Abra o disco e com ele forre uma forma de fundo removível de 30cm e leve à geladeira por 30 minutos. Fure a massa com um garfo e leve ao forno moderado (180C), pré-aquecido, por 30 minutos ou até dourar.

O recheio….

Em uma panela leve 1 xícara de açucar, 1/2 xícara de água e 1/4 xícara de Karo, mexendo até dissolver o açucar. Cozinhe sem mexer, até caramelar. Fora do fogo, misture 1/2 xícara de manteiga e junte 1/2 xícara de creme de leite fresco aos poucos. Deixe amornar, adicione 120gr de nozes picadas e despeje sobre a massa já assada.

A cobertura…

Em uma panela pequena leve ao fogo baixo 240gr de chocolate com 1 xícara de creme de leite fresco, mexendo sempre até derreter. Deixe amornar e despeje sobre o recheio. Leve pra gelar por no mínimo 3 horas.
Desenforme a torta, decore com nozes e sirva.
Rende 16 fatias.


(a danada antes do “ataque”)

* post originalmente publicado por mim no blog Rainhas do Lar

Rosca de coco

Férias, comilança, criançada toda em casa (e elas precisam ser alimentadas, certo?) e você já cansou de fazer aqueles bolos de sempre? Que tal então uma rosca?

Eu sempre via aquelas roscas lindas na padaria e achava que era difícil demais da conta fazer aquilo em casa. Até que caiu nas minhas mãos uma revista de receitas do Edu Guedes (meu novo queridinho…rs) e eu pensei “por que não?”. Daí juntei a força, a coragem e uma caixa com produtos Ducoco que tinha recebido para experimentar e me joguei  nessa receita, que aliás é simples, acredite.

Para a massa…

Em uma tigela misture 1 e 1/2 xícara (chá) de água e 2 colheres (sopa) fermento biológico seco. Misture um pouco, acrescente 3 ovos, 1 e 1/2 xícara (chá) de leite condensado, 1 xpicara (chá) de manteiga, misture e vá acrescentando 1 kg de farinha de trigo, até que essa massa desgrude das mãos. Não precisa sovar loucamente não, tá? É só deixar a massa homogênea.
Deixe descansar por 30 minutos.

Para o recheio…

Em uma tigela misture 2 xícaras (chá) de coco ralado (usei metade normal e metade coco queimado), 1/2 xícara (chá) de leite de coco, 1 ovo e 3 colheres (sopa) de açucar.  Misture tudo e reserve – simples assim, sem grandes complicações.

Juntando lé com cré…

Abra a massa em uma superfície lisa e enfarinhada usando um rolo. Tenha em mente que você fará uma espécie de rocambole, ou seja um trem comprido (gente! baixou uma mineira em mim! hohoho!), que depois será cortado.

Tá, abriu a massa, espalhe por cima dela a mistura de coco. Agora comece a enrolar, como se fosse mesmo pra fazer um rocambole. Feito isso, corte fatias grossas  e disponha-as, com o recheio virado para cima, em uma fôrma de buraco de 24cm de diâmetro untada e enfarinhada (minha fôrma tem 24 cm e ainda assim me sobraram 4 fatias, que levei para assar em uma assadeira comum – então, eu sugiro que você tente uma fôrma um pouco maior).

Leve ao forno médio (180ºC), preaquecido, por cerca de 40 minutos ou até que doure.

Retire do forno e, ainda morna, regue com uma caldinha feita com 1 xícara (chá) de leite de coco e 1/2 xícara (chá) de açucar. Dá um brilhinho na rosca, manja? Adoro ;)

Depois é só servir e esperar os elogios ou escutar aquela prima perguntando em qual padaria você comprou! Rá! Tolinha :)

* este post não é um publieditorial

Bolo Duo Chocolate

bolo duo de chocolate

Eu sempre digo que é preciso ter um dom para confeitaria, e aqui mesmo no meu perfil eu já admito que infelizmente não nasci com esse dom. Sinceramente, sou do time que acredita que bolo tem manha, que caldas são voluntariosas e que balanças e colheres medidoras são territórios em que se pisa com cuidado.

E já que é pra ser sincera, eu acredito sim que bolo tem aquela coisa da mão, manja? Tem gente que tem mão pra bolo e gente que não tem – simples assim. Eu não tenho, mas sou esforçada e sempre que me disponho a bater um bolinho, faço tudo conforme manda o figurino, que é para dar menos chance de algo sair errado. E eu também acredito na persistência =)

Bom… daí que, mesmo com minha limitação confeiteira, dias desses resolvi fazer um bolo com camada e cobertura (pausa dramática). E né… esse tipo de bolo, pra mim, figura num universo quase mágico… uma coisa assim que requer meio que uma varinha de condão e um poder total de abstração para o caos de louça que um prato desses acumula na pia. É panela para o recheio, é travessa para a massa, peneira, xícaras medidoras, mãos sujas para untar assadeiras, farinha por todo canto … gente, na boua? Eu tiro meu chapéu para quem tem amor pela confeitaria, viu? É preciso MUITO amor, minha gente! ;)

Tá, voltando ao bolo (tô perdendo o foco fácil hoje…rs)… já que tenho talento limitado, recorri aos dois seres humanos mais talentosos que conheço quando o assunto é doçuras em geral – minha amiga Lena Gasparetto (a fada da glicose) e o Richie, do Cozinha Coletiva, que pode ser considerado assim uma versão masculina da Martha Ave! Stewart – o cara faz doces incríííííveis.

Então o bolo, que chamei de Duo de Chocolate (porque sim, eu sou pheena, rs) é nada mais nada menos do que uma junção de duas receitas – a massa de pão de ló do Richie e o recheio de creme de chocolate branco da Lena. A cobertura é uma invençãozinha besta minha de última hora: uma ganache de chocolate meio amargo onde acrescentei creme de ovomaltine (principalmente porque o chocolate que eu tinha era bem amargo e eu quis dar uma adocicada nele) e vinho do Porto e, assim, para corrigir um problema, acabei fazendo uma cobertura danada de boa. Prova de que na culinária, erros podem mesmo virar grandes acertos :)

A receita do pão de ló está aqui.

Olha que lindeza que fica o bolo quando você usa papel manteiga…

A receita do recheio de creme de chocolate branco está aqui.

Para a ganache, coloquei numa panela: creme de leite, juntei o chocolate meio amargo picado e mais 3 colheres cheias de creme de ovomaltine e um pouco de vinho do Porto. Mexi bem até o chocolate derreter e usei para cobrir o bolo.

Para quem não tem grandes habilidades com doces, até que meu bolo ficou bem lindão, hein? ;) E o povo a.m.o.u!
Fiquei tão orgulhosa, que me senti até meio Lena… rá!

Okey, okey…depois eu acordei e voltei para a realidade. Hohoho :)

Bolo de milho verde

Por aqui, a chuvinha fina corre solta lá fora… e, me diz, dias chuvosos não são perfeitos para a dupla bolo + café fresquinho?

Esse aqui é “bolo de liquidificador”, daqueles bem rápidos de fazer, do jeitinho que eu gosto. E ainda leva milho que, já é de conhecimento público, é uma coisa pela qual eu sou louuuuca. No entando, não é do tipo bolo fofísssimo, altão, daqueles que levam claras em neve, mas nem por isso é menos gostoso :)

A receita saiu de um recorte que encontrei no meu caderno de receitas e tinha uma anotação, provavelmente de muito tempo atrás (sim, porque hoje em dia minha letra é um garrancho só): “fazer para a festa junina”.

Bata no liquidificador 1 lata de leite condensado, 4 ovos, 1 colher de sopa de margarina, 1 lata de milho verde em conserva escorrida e 100gr de coco ralado. Junte 2 colheres de chá de fermento em pó, misture bem, coloque em forma untada e enfarinhada e leve ao forno médio, pré-aquecido por cerca de 40 minutos. Depois de assado, polvilhe canela e açucar.

* receita publicada por mim no blog Rainhas do Lar (e resgatada pra cá a pedido da Dani Falcão)

Bolo gelado de coco

Simplesmente um clássico. Servido em papel alumínio, molhado e docinho, esse bolo era presença garantida nos aniversários na infância. Diga quem foi criança nos anos 80 e nunca topou com esse bolo nas festinhas na escola?

Por conta dessa memória afetiva, e também porque o bolo é bem gostoso, foi ele que escolhi para a comemoração do meu último aniversário. Foi feito pela minha mãe, com uma receita bem clássica e fácil, olha só…

Na batedeira bata 4 gemas, 2 colheres de margarina sem sal e 1 1/2 xícara de açucar, até ficar aquele creminho clarinho. Depois, vá juntando 2 1/2 xícaras de farinha de trigo e 1 xícara e mais um pouquinho de leite alternadamente e continue batendo. No final, junte 1 colher de sopa de fermento em pó e as 4 claras batidas em neve. Asse em forma untada e enfarinhada até o teste do palito.

Para molhar e “empanar o bolo”: 1 vidro de leite de coco, 1 lata de leite condensado e 1 pacote de coco ralado (mais 1 pacote para empanar), tudo batido no liquidificador.
Com o bolo ainda quente, faça furos com o garfo e regue com um pouco da mistura batida. Espere esfriar, corte o bolo em quadradinhos do tamanho que desejar, mergulhe na mistura batida no liquidificador e depois passe sobre coco ralado. Embrulhe em papel alumínio e leve à geladeira até o momento de servir.

Bolo mármore

Dias desses a União me enviou um pacote do açucar light (que eu particularmente nunca tinha usado na minha cozinha) e acendeu minha curiosidade – será que usando metade da quantidade de açucar em uma receita ela daria certo do mesmo jeito? Sim, porque adoçar café, chá, suco é simples, mas … e um bolo?

Resolvi fazer um teste e escolhi uma receita clássica, das antigas, um bolo com cara e jeitão de vó – o inconfundível Bolo Mármore, lembra dele? ;)

A receita é das mais simples…

Saudades, lembranças doces e uma torta de bananas

Um cenário tipicamente outonal domina a paisagem. As folhas cobrem o chão, o sol vem ao seu turno cansado por ter brilhado nos dias longos de verão, árvores avermelhadas e amareladas embelezam a flora local. Os manequins se preparam para o frio, desfilando roupas invernais nas vitrines, enquanto muitos já se valem de seus casacos mais fofos, iguais ao boneco “michelin”.

As mudanças exteriores são sentidas nos ânimos das pessoas, e apesar da valentia de alguns o recolhimento vira a regra, os ventos e a chuva nos expulsam para dentro de casa. Surpreendo-me ao descobrir em minha casa um novo refúgio favorito. Esse canto acolhedor, que não me era mais familiar no Brasil, é onde agora reproduzo os sabores que aprendi a amar em minha infância. E foi a saudade dessa comida amorosa que me aproximou da cozinha.

Ao comparar nossos hábitos com o comer dos holandeses percebi a importância cultural da comida na vida do brasileiro. Qualquer ocasião, de uma simples visita a um casamento, a gulodice domina todos os rituais sociais. O alimento se conecta diretamente ao coração e trazemos na memória delícias preparadas pelos pais, avós ou alguém bem querido.

Assim é para mim. Encontro em minhas reminiscências dezenas de mulheres em uma cozinha de fazenda, preparando pamonha. Eu pequena olhando panelas gigantes e observando o mistério daquele líquido amarelado, que era milho, mas de repente se convertia em minha sobremesa favorita. Conseguia às vezes dar o nó nas sacolas de palha com um barbante. Lembro-me também de ver a vovó preparando biscoito de queijo e seu feijãozinho ainda é para mim o mais saboroso que provei. E para minha sorte a outra vozinha também tinha seus quitutes. Seu vatapá era prato famoso, mas gostava mesmo das coxinhas que preparávamos juntas, da paçoca que ela fazia, essa doce, e até do macarrão nissin com molho avermelhado, delicioso só por ser feito por ela. Também não me esqueço das fugas que fazia com minha irmã para provar as pizzas do Seu João em nossa pizzaria. Ele também preparava gemada como uma batedeira, pronta em poucos minutos, depois nos assustava virando o prato de cabeça para baixo. Também aproveitávamos para furtar muito refri e guardamos várias obturações de lembrança daqueles tempos. A comilança das festas juninas também é memorável: a canjica, os docinhos, o churrasquinho, e também a alegria em receber um correio elegante, ao que ainda fosse 1 correio elegante. Havia também o bolinho de chuva da Dona Anastácia, e eu vibrava quando ela chegava com aquele prato de bolinhos perfeitamente redondos e açucarados, não é melhor bolinho imaginário do mundo?

Não obstante, quando adulta, ao me deparar com as caçarolas, o encanto havia desaparecido. Sozinha em minha cozinha minúscula não havia qualquer inspiração. Anos e anos depois, já em São Paulo fui aprender a cozinhar na escola. O chef Carlos Ribeiro ministra cursos fantásticos no Na Cozinha, e a partir dali algo começou a mudar. As lições gourmet despertaram a vontade de preparar o delicioso e o belo, e descobrimos a importância do “mise-em-place”. Mas a lida com a cozinha estava ainda longe da familiaridade para mim, foi pois que feri levemente meu gentil professor com aquela faca enorme de 7 polegadas, e ele somente me revelou o ocorrido ao final do curso, para que eu não desistisse.

Já na Holanda surgiu grande necessidade de trazer novamente aqueles gostinhos que ficaram na terra natal. O primeiro desafio é ter que lidar com a ausência das matérias primas que abundam no Brasil. Fui encontrando aos poucos um item ali, outro aqui, até porque não podemos sempre ir na lojinha de produtos brasileiros para comprar um pacote de polvilho por quase 4 euros. Encontro o leite condensado na seção de produtos importados, apesar de ser do norte da Holanda, de Friesland. A salsicha defumada que se chama rookworst faz as vezes de lingüiça de feijão.

Começou a surgir uma satisfação com o exercício culinário, para mim novo. Aprender a fazer o ponto de brigadeiro, assar um bolinho, fazer pudim, percebi o grande fascínio que essas comidas exercem sobre mim, admirava-me preparar os ingredientes e me deslumbrava com a metamorfose da massa.

Minhas referências para muitas receitas vêm do site das Rainhas do lar e do blog Mixirica, bem como do livro Quentes e Frios, da autora Maria Stella Libanio. No fim de semana, por exemplo, inspirei-me com uma receita do site das “Rainhas” de curau de milho, no qual aproveitamos o bagaço para fazer bolo de milharina. Comprei então um pacote com dois milhinhos de 2,50 euros e ao provar o resultado tamanha foi minha alegria em me sentir transportada para as adoráveis lembranças que meu super amigo milho me desperta.

Ao preparar os pratos corriqueiros da nossa cozinha, como o arroz e o feijão, percebi que acumulara várias sugestões das mais queridas figuras. Meu feijão tem o toque de manteiga da Lelê, um monte de alho como o feijãozinho da Adri, um caldo consistente como o da vovó Tina e às vezes umas linguicinhas tais quais as da vó Maria. Também cozinho sopinhas pensando na minha amiga Manfra, que um dia me preparou uma sopa para me trazer de volta à vida após um dia muito estressante. Cozinho os legumes ao vapor igual à tia Dag e faço uma salada de tomates assim como ela para os guris. Preparo aquele cachorro quente com molho saboroso tal qual a tia Binha e uso a receita de tahine com mel e os produtos natureba da tia Dani.

Minha cozinha então fica cheia, quase não consigo me mover com essa gente toda trazendo sua alquimia para o fundo da minha panela, e jamais me sinto só. Esses detalhes que não se encontram em livros tornam a comida de cada um ainda mais única e especial. A vida pode ser mais doce e temperada, e até que caiam todas as folhas e renasçam verdinhas daqui ha duas estações abastecemo-nos desse alimento que nutre a alma.

Da maior mestre ainda não falei. Mas ela é sem dúvida a grande referência que tenho para a lida com as colheres de pau. Ela tem dicas para tudo e um jeito só seu de preparar a comida. A torta de banana e o bife bem solado eram customizados para mim e tinham um sabor que ainda reverbera nas minhas papilas degustativas. Ela preparava um incrível manjar de coco com ameixas e aqueles docinhos de festa perfeitos, jamais vindos da latinha pronta. Fico triste quando me lembro de reclamar com ela se o leite tinha nata demais ou se o feijão não estava amassadinho, coisas bobas de criança que não sabia o tesouro que tinha. Havia um algo há mais saindo daquele forno e fogão e não há quem possa repetir as receitas. Até a pipoca feita na panela, combinada com amendoim torrado, consumidos em sacos de papel do mercado Jumbo tinham um sabor incrível, quando sentávamos lado a lado para assistir TV. Na minha humildade de cozinheira iniciante vou tentando aos poucos decifrar a arte da maior chef que já conheci.

Conversamos muito nesses momentos. Ela me avisa quando devo colocar mais sal ou se preciso acrescentar um pouco mais de água, e também me dá idéias do que fazer quando o prato não sai conforme o programado. Algo muito inesperado então acontece. Eu ganho uma confiança que nunca tive enquanto estava ao fogão, e antes de terminar o preparo do alimento já sei que será saboroso.

Acabo cozinhando muito com a minha mãe. Eu aqui, bem longe do Brasil e ela na outra dimensão da vida sopra em brisas suaves o seu conhecimento. Tudo que não tive tempo de dizer-lhe é preenchido pela nossa comunicação secreta. O carinho enorme no preparo dos pratos, pensando nas pessoas queridas do Brasil e nos amados destinatários da comida é sempre uma grande homenagem a ela, uma maneira de agradecer por todos os “gagais” que me fizeram crescer e me transformaram em um ser melhor, e finalmente capaz de dar aos filhotes um gostinho do inesquecível amor de mãe em forma de comida.  Nesses momentos não há tristeza, não há nada mais que uma saudade muito doce, cheia daquele aroma de baunilha que perfuma o forno.

***

O texto acima é da Tati Mota e ao lê-lo não pude deixar de me emocionar – pela história que ele conta, pelas lembranças dela (que se confundiram um pouco com as minhas … uma parada muito louca, difícil de explicar)…
Seu e-mail, tão doce quanto a receita que ele continha, encheu meu coração daquele quentinho gostoso, sabe? Aquele sentimento tão aconchegante que vem depois de um pequeno aperto no coração, que por sua vez precede aquele momento em que nos faltam as palavras. No Rainhas vivi muitos desses momentos e sei muito bem o quanto eles são preciosos e tive de novo a certeza que eles precisam mesmo ser compartilhados, sempre.

Então, diga Tati…

Bem, eu escrevi faz um tempo porque havia publicado um texto no qual mencionava o site das rainhas. Era sobre o descobrimento da cozinha para mim, depois de ter me mudado para o exterior. Acontece que após exatamente 2 meses no país novo eu perdi minha mãe, que além de ser minha querida mamãe era a referência para mim na cozinha. Aconteceu tão de repente que não pude falar com ela nem me despedir. Assim foi que a cozinha surgiu para mim como um ligação com a nossa cultura, mas principalmente com ela. Vale sempre dizer que é muito bom estar em contato com nossos queridos, estejam eles do outro lado da rua ou em outro país.

Depois que escrevi esse texto, que foi publicado no site Digestivo Cultural minha irmã resolveu me mandar o maior tesouro que minha mãe havia deixado. Ela enviou para mim as receitinhas que ela usava por todos os anos em que me entendo por gente. O jeito que ela preparava suas especialidades vai ficar na memória, mas eu lembro desses caderninhos desde pequena, certamente foram para ela uma referência.

Havia preparado para o site das rainhas uma receita que era uma das minhas favoritas. Encontrei no caderno mais antigo uma receita meio diferente dessa torta de banana e ela foi alegremente aprovada pelos comensais daqui de casa. Parece uma mistura de todas as tortas de banana que existiam no site das Rainhas. Não sei se existe no blog Pimenta qualquer coisa que seja parecida com o envio das comadres, mas enfim, o bolo foi feito, as fotos também, então envio nem que seja para que vocês possam curtir.

Fiz fotos da receitinha, mas no meu caso sempre uso menos ovos. Acho que antigamente as receitas tinham muitos, muitos ovos. No mais, segui os passos e deu muito certo.

Bem, gostaria de agradecer por ter recebido tanta ternura através do Rainhas do Lar. Um dia estava aqui no outono da Holanda e abri um vídeo sobre uma vendinha em Minas, eu me transportei imediatamente para lá, e daí veio um chorinho muito doce de saudade.

Super abraços,
Tati.

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Bolo de pamonha

Para homenagear São João ontem escolhi a receita que a Olívia me enviou, com a promessa de ser um bolo delicioso.
Olívia, você não mentiu comadre. Que bolo é esse??? Maravilhoso! Uma receita não deu nem pro cheiro lá em casa e é certo que muitas repetições virão.
Gracias, querida :)

A receita na íntegra, segundo Olívia…

Fabi, eu estou cada dia mais convencida de que cozinhar é além de tudo um blefe, a gente faz uma coisa deliciosa em menos de dez minutos e arrasa, veja esta receita de bolo de pamonha

Bata no liquidificador
1 lata de leite condensado
1/2 xícara de leite
milho de 5 espigas
5 colheres de margarina
3 ovos

Passe para uma travessa e misture delicadamente 1 colher (sopa) de fermento em pó. Asse em forma de buraco no meio untada e enfarinhada.

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar