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delírios e outros bichos

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Jiló é bom para o cérebro*

Esse foi meu argumento(*), para convencer o marido (que não, não tem 12 anos de idade) a comer minha simpática salada de jiló com cebola e pimenta dedo de moça.
Falei de brincadeira, só para fazer graça com o fato de que ele anda mesmo muito esquecido (é, às vezes eu sou cruelzinha…rá!). O que eu não sabia é que, na brincadeira, acabei passando raspando, olha só…

Conhecido na América de fala espanhola como “giló del brasil”, o jiló, provavelmente originário da Índia, é abundante na África e no Brasil. É uma fruta, parente da jurubeba e do pimentão.

É boa fonte de vitamina C, vitamina A e cálcio, sendo também rico em vitaminas do complexo B, como as vitaminas B1, B2 e a niacina, particularmente importante para a pele, nervos e aparelho digestivo.

O jiló provoca uma maior secreção de sucos digestivos, auxiliando a digestão dos demais alimentos. Esse fruto guarda também propriedades favoráveis para o fígado, devendo, para surtir o efeito benéfico desejado, ser consumido em refeições sem adição de óleo ou gorduras. Recomenda-se incluí-lo numa dieta redutora de colesterol, juntamente com berinjela e cenoura crua.

Fonte: Blog Comendo Bem

Tá vendo?  Jiló é bom para os nervos! (e minha avó nunca me disse isso antes? ). E ainda é bom para a pele! Por essa você não esperava, não é messsssmo? =))))

Simbora então todo mundo se jogar com força no jiló?

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Para Dani Falcão, com am♥r

Um dia o carteiro me entregou uma caixa de Sedex vinda lá do Rio de Janeiro. Dentro, super bem acondicionada, veio uma plantinha, uma orquídea linda, que viajou tanto para chegar em minha casa. Lá, ela foi morar em um xaxim e ganhou um canto gostoso no meu quintal, com sol na medida certa, água e muito cuidado. Agora, todo ano nessa mesma época ela me recebe assim pela manhã, linda, linda e linda.

E hoje é aniversário da pessoa que, sem nunca ter me visto na vida, teve um dia a vontade de me mandar uma flor.

Parabéns Dani, a orquídea abriu hoje em sua homenagem :)

Beijo enorme,
Faby

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Orgulho mode on

A melhor parte de ter um blog sem dúvida é quando você recebe mensagens assim…

Faby!

Você não me conhece… mas te amo desde o Rainhas!
A receita do Espetinho Thai já tinha rolado por lá né? Mas você me inspirou muuuito depois do post do RangoCamp e JUREI que ia fazer o espetinho no próximo churras aqui em casa!

Rolou esse domingo, no churras de comemoração do Dia dos Pais e niver do meu pai (comemoração dupla)! Ficou lindo, de arrasar, acabou em segundos, o aroma é perfeito, o lance do galhinho de alecrim desperta todas as curiosidades … só me arrependi de não ter caprichado mais no gengibre! Mesmo assim foi perfeito!

Escrevo para mostrar as fotos, afinal o resultado é totalmente fruto da inspiração que você leva às suas leitoras diariamente … me senti um pouco Faby, porém morena! rsrs…

Beijos e obrigada!
Babi

Olá Faby!

Resolvi fazer um almoço especial pro papai, a quem tenho resgatado uma relação linda! Passei no supermercado, sem nenhuma idéia do que fazer, achei costelas e pensei que poderia ser este o caminho…

Cheguei em casa e chamei pelo Santo Google que me enviou a sua receita..ainda no site Rainhas do Lar. Adorei a sua historia, a forma de contar e dar a receita, e mais ainda, qdo vc falou pra ‘tirar do saco as costelas’ antes de assar!

Coloquei na marinada ontem a noite, e fui dormir rezando para ser inspirada no dia de hoje!

Minha oração foi ouvida, acordei mais que inspirada e resolvi colocar as costelas “no saco” de cozinhar!

Na marinada coloquei o tempero do ‘meu frango assado’ da knorr limão e ervas, e no saquinho  de assar o frango… Deixei assando…depois de 40 minutos ela já tava desmanchando, e tirei do saco apenas pra passar o barbecue e secar !

Ao fazer o barbecue, não tinha os ingredientes (cozinheira de primeira viagem…) resolvi improvisar, coloquei
melaço (ao invés do mascavo), shoyu (ao invés do molho ingles), e não é que ficou delllliiiiicioso!

Meu pai gemia ao comer, me elogiava o tempo todo, disse que nem merecia, foi fantástico!

Tenho que te agradecer e mandar a prova do crime para sua aprovação! (acho que ficou bem parecido com o seu!)

Grata e abraço carinhoso,
Gisele Smith

Ai ai… não é fofo demais isso?

Gisele, costelinha é tudo de bom mas melhor ainda é ouvir o elogio do papai, né? ;)
Babi, minha flor, então segura essa… eu estou morena! (pausa para o momento dramático). Acredita? E ó… teu espetinho ficou lindão, arrasou!

Quer as receitas? Então, toma!

Espetinho de frango à moda Thai
Costelinha à moda do Outback

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Aprender, ensinar, dividir, compartilhar…*

conhecimento
co.nhe.ci.men.to
sm (conhecer+mento2) 1 Ato ou efeito de conhecer. 2 Faculdade de conhecer. 3 Idéia, noção; informação, notícia.  sm pl Saber, instrução, perícia; razoabilidade; circunspecção.  C. de causa: perícia; experiência.

Eu tive a sorte de aprender muita coisa nessa vida (e, com fé, ainda hei de aprender muitas outras). A família, a escola, a igreja, os trabalhos (que foram muitos) – cada coisa ali, se somando a outras, e formando assim aquela bagagem que a gente carrega pela vida toda e ninguém tira da gente – o conhecimento.

Aprendi a cozinhar com minha mãe, avó e tias, olhando e aprendendo. Ninguém nunca me pegou pela mão e tampouco me deu uma “aula” – cozinhar parece ter sido um caminho muito natural pra mim, e eu nunca tive medo dos temperos, das especiarias. O primeiro arroz que fiz eu tinha menos de 10 anos e, desde então, a necessidade e o prazer se misturaram e eu não parei mais.

Morando sozinha, aprendi alguns truques, criei meus próprios macetes e inventei minhas próprias receitas. Escrevendo blog de comida há seis anos, dividi o que sabia e aprendi muito também, todos os dias. Fiz aulas com chefs famosos, conheci cozinhas estreladas, fui apresentada às técnicas e conheci pessoas que tem paixão pela culinária.

Fiz amigos de verdade, amigos de forno & fogão, que pretendo levar pro resto da vida. Aprendi com cada um um pouco das suas manhas, um segredinho aqui, outro ali… em pouco tempo me vi em um círculo onde todos conversam sobre comida e todos, todos, falam sobre isso com o brilho nos olhos e a água na boca, típicos de quem tem mesmo amor pela comida, como eu.

Depois de compartilhar na internet por tantos anos minhas aventuras (e desventuras também) na cozinha, decidi que era hora de pegar pela mão, de mostrar devagarzinho, de fazer minha comida e dividir o prazer que sinto em cozinhar com quem estiver disposto a aprender, de espalhar aquilo que tão generosamente me foi ensinado e de mostrar que é possível transformar a cozinha em um lugar divertido.

Chamei dois desses amigos de forno & fogão – o Leandro e a Débora – e assim nasceu o Trèsbon, meu novo e querido projeto que eu te convido agora a conhecer.

Vem cozinhar comigo! ;)

Ah! E, se puder, espalhe a novidade com seus queridos. Notícia boa, sabecumé … =)

 

* no título do post, alguns dos meus verbos preferidos :)

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Louca por lanternas

Prazer, sou eu :)

E esse post é só para avisar que comprei umas lanternas leeeeendas na liquidação da Etna (que vai até 14/08) por uma merreca – as sete primeiras na imagem acima são da Etna, e sabe essa vermelhinha linda? 10 pilas. \o/
As demais são imagens que vou achando pela net e salvando numa pastinha do Firefox chamada “lindezas”.  E ó… essa pasta tá bem cheia, viu? =)

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As festas das revistas

Elas são sempre lindas, iluminadas na medida certa, todos os elementos se harmonizam (inclusive os improváveis, como as misturas de padronagens e de cores que se tem como “incombináveis”). As toalhas são impecáveis, os talheres são brilhantes, os copos então…. pffff, reluzentes! Se tem grama,  ela é verdinha, aparada… se a festa é interna, as paredes tem pinturas novinhas, janelas com paisagens incríveis ou cortinhas que querem parecer displicentemente desarrumadas (mas que devem ter custado horas da diretora de arte). As cadeiras, mesmo sendo completamente diferentes umas das outras, casam-se perfeitamente. A mesa tem o tamanho certo, a louça é linda, a comida… bem, você já viu comida de revista que seja feia?

As festas de revista parecem mágica pura. De tão lindas, você tem vontade de fechar os olhos e estar lá – uma taça de champagne nas mãos, um vestido em tom de nude todo fluído, um cabelo com cachos cuidadosamente desarranjados e sapatilhas de princesa. Ou, sei lá, a festa tem uma pegada mais hardcore (mas ainda assim linda, biensur) e você se vê logo toda trabalhada no batonzão vermelho, fazendo caras e bocas à meia luz, com um drink nas mãos curtindo um jazz ao lado das pessoas tão lindas quanto você, que com certeza estarão nessa festa.

Em festa de revista as pessoas sempre são lindas, sempre estão mostrando os dentes, sempre estão impecáveis – oras, é uma festa afinal! Isso quando a festa tem pessoas, claro. Porque em fotos de ambientação muitas vezes o elemento é humano é completamente dispensável. O que importa é a disposição milimétrica dos elementos à mesa, os cupcakes perfeitos e tinindo de bonitos, o finger food intacto, a champagne perfeitamente encaixada no gelo e as flores tão vivas que mal se lembra que elas não nasceram naquele vaso de cristal.

Daí você se transporta para aquele mundo mágico e começa a se coçar para dar uma festa também. Bom… você não tem aquele jardim tão lindo mas, afinal, quem tem um quintal ou uma varanda já pode acreditar em uma festa externa (ou ao ar livre, pra ficar mais glam). Talvez você precise de mais cadeiras, mas isso se pode arranjar com as boas e velhas cadeiras de PVC brancas, ou improvisar com os pufes da sala. E você reza para que haja tempo de fazer umas capas para as cadeiras ou arranjar umas almofadas lindas e coloridas, como as da revista, claro. Daí você checa a louça e se joga com força no conceito de que tudo-junto-misturado é que é bacana (na revista estava assim!) e acha que está tudo sob controle. Os talheres, tirando aqueles com cabo azul de plástico, até que dão para o gasto… talvez quem sabe se você conseguir separar um tempinho para passá-los pelo limpador de alumínio e uma boa lustrada… Tem a toalha também. A sua é bonita, talvez não com aquela padronagem escândalo da festa da revista… talvez uma pequena manchinha aqui e ali, coisa quase imperceptível, claro. E os guardanapos de pano?! Ah, tem que ter guardanapo de pano (que no dia seguinte você vai se esfalfar para tirar as manchas de vinho e batom, claro) e eles tem que estar em perfeita harmonia com as toalhas e com a louça, ainda que eles sejam completamente diferentes.

Ok, você separa tudo e dá uma olhada pra ver se todos os elementos parecem feitos um para o outro. É… veja bem, tirando uma coisinha aqui ou outra alí, você consegue sim enxergar a tão sonhada harmonia (é ela que vai fazer sua festa ter aquela aura de festa de revista). Então, você parte para o cardápio.

Primeiro as bebidas – nas revistas não há garrafas de plástico de refrigerantes na mesa e, se houver, elas serão de vidro ou estarão completamente inseridas no conceito pop-art-moderna. Tá, então você lima aquela coca de 2 litros da sua festa e investe com força nas jarras de água aromatizada, muito mais lindas e condizentes com sua recepção. Obviamente você vai querer um balde/vaso/ou coisa que o valha com espumante e lá também você colocará a cerveja (já reparou que em festa de revista 4 ou 5 garrafinhas de cerveja gelando são super suficientes?). Bebidas resolvidas.

A comida logicamente vai ser linda, escandalosamente linda. Você sai a procura de receitas lindas, mas que ao mesmo tempo sejam fáceis, práticas, viáveis, baratas… É, vai ser uma tarefa complicadíssima, já que você pretende fazer tudo sozinha e em um espaço curtíssimo de tempo. Caso você consiga montar o cardápio com esses requisitos (praticamente um milagre, vamos combinar), você estará a dois passos de ter a tão sonhada festa de revista em sua própria casa.

O resto é mandar e-mail para os amigos, fazer as compras no supermercado, montar as travessas lindas e perfeitas, colocar a música ideal, providenciar o gelo, as flores, a iluminação certa … passar a toalha antes de colocar na mesa (quem há de querer vinco na mesa impecável?), dispôr tudo lindamente na mesa, finalizar os pratos de modo que eles fiquem estrondosamente apetitosos, dar uma borrifada de aromatizador de ambiente, acender as velas e aguardar linda e loura a chegada dos seus convidados.

Ufa! Foi uma maratona, mas tudo há de valer a pena quando você, um pouco antes dos convidados chegarem, se jogar (morta) no sofá e ver que conseguiu reproduzir a festa de revista que sonhava. Agora é só curtir – se você tiver forças, claro.

Por outro lado, você pode só chamar os amigos (que trarão as cervejas de latinha e o gelo para o cooler), pode deixar todo mundo na cozinha enquanto você prepara os belisquetes e suas amigas te ajudam a arrumar a mesa – com guardanapo de papel e louça básica do dia-a-dia – e dar uma providência na loucinha da pia. A essa altura alguém já colocou uma música (que nem sempre é a ideal) e as cadeiras de plástico brancas já estão no quintal, na rodinha do povo fumante (que também já providenciou um cantinho para ir colocando as latinhas recicláveis). Flor pode ser que não tenha…  mas você compensou isso caprichando na comida – e é só disso que o povo vai lembrar no dia seguinte, acredite.

É… O mundo perfeito dos editoriais pode ser perfeito lá, com uma equipe de 17 profissionais envolvidos. Só que aqui no mundo real, festa boa, mas boa mesmo, é aquela em que você não se mata de trabalhar, todo mundo se diverte, come bem, relaxa, ri muito e aproveita o tempo juntos (coisa tão rara em um mundo tão acelerado). Festa boa não é aquela em que tudo é impecável. Aliás, eu não sei vocês, mas eu ando achando o impecável absolutamente chato. Festa boa é aquela em que todo mundo se envolve, participa e não fica apenas fazendo pose com cara de paisagem. Festa boa é aquela em que talvez até algo dê errado (e é disso que você e seus amigos rirão por dias e dias) ou aquela em que talvez alguém até exagere (levemente) na bebida… Mas, nem isso há de ser problema! Afinal, como sua festa não é de revista, a garrafa de 2 litros de coca-cola estará lá a postos e a espera do primeiro sinal de ressaca – ressacas que só as grandes festas da vida real proporcionam (ou você consegue imaginar aquela moça linda da festa de revista de ressaca no dia seguinte?).

Ai ai. O mundo real também não é absolutamente delicioso? ;)

fotos: Wohn Idee

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Time is honey

Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um anti-bolo.

Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito). O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.

Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas.

Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo. É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos.
A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.

Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora.

Texto: Antonio Prata – enviado pela minha amiga Leilah, que o leu e lembrou de mim (♥)
Foto: Crazy for Cakes

Precisa dizer que eu amei? ;)