Pera ao Vinho

Sobremesas não são o meu forte. Dito isto, preciso confessar que frutas sempre salvam a minha pele quando preciso de uma sobremesa em um dia de pouca inspiração, e neste quesito ninguém cumpre melhor a tarefa do que a pera.

Pera é aquele tipo de fruta meio renegada, né? Não é popular como a maçã ou a banana e nem tão hype quanto o abacate, o figo… daí ela fica lá, meio esquecida. Não aqui em casa!

Esta receita de Pera ao Vinho é minha sobremesa coringa porque é fácil de fazer (muito fácil aliás), relativamente rápida e leva poucos ingredientes, quase sempre o que a gente tem na despensa. Na hora de servir ela também leva vantagem – vai com sorvete, com chantilly, com creme de confeiteiro… ô bichinha versátil!

Atenção para a lista de ingredientes: pera (pode ser a mais durinha, a Willians, e eu uso sempre a mini, por frescura mesmo, rs), vinho tinto, açucar, canela em pau, cravo e água. Viu? Não disse que era pá-pum? ;)

A primeira coisa a fazer é usar um descascador de legumes para descascar as peras, mantendo o cabinho. Na falta do descascador a faca dá conta, claro, mas tem que ter aquele jeitinho delicado, pra tirar a casca fininha, ok?

Em uma panela coloque o açucar (umas 3 colheres de sopa são suficientes), o vinho e a água – a proporção aqui é de 2/1, ou seja, 2 xícaras de vinho tinto para 1 xícara de água. Essa quantidade aumenta se você estiver preparando muita pera – aqui usei essa proporção para cozinhar 8 mini peras. A ideia é que elas cozinhem mergulhadas nesta mistura. Ah sim! Junte a canela em pau e uns cravinhos (usei uns 6 pq gosto deles, mas vai de acordo com teu gosto).

pera_vinho

Pronto! Agora é só ligar o fogo, misturar, esperar o açucar se dissolver, juntar as peras e deixar que elas cozinhem lentamente (nada de fogo altíssimo!). Vez ou outra você checa com um palitinho para saber se estão cozidas, mas leva cerca de 30 minutos. Quando elas estiverem cozidas, a calda de vinho também deve ter reduzido bastante e engrossado. Se isso não aconteceu, retire as peras já cozidas da panela e deixe a calda de vinho engrossar mais um pouco.

Dá para servir geladinha ou morna – não disse que essa receita é coringona? ;)

Na foto tem sorvete de creme, amêndoas laminadas torradas e uma folhinha de hortelã para decorar.

Moros y Cristianos

(toda internacionalzinha, hein Fabiana?)

Então, arroz com feijão… tem coisa melhor? Sim, pra você talvez até tenha, mas para mim não. Arroz com feijão é tipo a minha comida do corredor da morte, última refeição da vida, saca? Eu apenas amo. Além de ser minha comida do dia a dia, é um prato que está longe de ser monótono, pelo contrário! As variações são tantas que nem sei contar – diversos tipos de feijão, arrozes incríveis… impossível enjoar. O segredo daquele feijãozinho com arroz bem gostoso eu já ensinei no meu livro O Pequeno Livro de Cozinha – Guia para Toda Hora, escrito em parceria com Kátia Najara e publicado pela Editora Verus/Record.

Tá, mas e essa receita aí toda gringa? Então, o prato tem origem cubana e chama Moros y Cristianos (Mouros e Cristãos) e é exatamente isso – arroz branco com feijão preto, que pode ou não ter carne no preparo. Simples e perfeito. Um amigo me apresentou o prato décadas atrás e um tempo depois uma panamenha me ensinou sua versão, onde o feijão era temperado com banha e o prato finalizado com toucinho cozido. Maravilhoso, devo dizer. Na versão cubana há quem finalize com alho frito, o que, convenhamos, não tem chance de ficar ruim, certo? Já eu aqui optei por bacon – mas não qualquer um! Este bacon é produzido artesalmente, defumado a frio por 72 horas com serragem de macieira e maturado por 20 dias. Falo dele adiante pq né, isso é um bacon de responsa!

moros_cristianos

Ok, voltando ao prato. Ele lembra nosso Baião de Dois, onde o arroz é cozido com o feijão e isso é bem fácil de fazer. A primeira coisa é deixar o feijão preto de molho (eu deixo de véspera e descarto a água do molho). Depois, ele vai para a panela de pressão com água muita, louro e um pedaço de toucinho (usei o “corinho” do bacon). Ele precisa cozinhar até ficar macio, mas não demais. Quando estiver cozido, retire o toucinho, reserve os grãos e conserve 2 xícaras do caldo. Em uma panela coloque um fio de óleo e frite 1 xícara de arroz (eu lavo e escorro o arroz, mas tem gente que já pulou essa parte lá na década de 80 né? rs). Junte o caldo do feijão, tempere com sal, tampe e cozinhe como um arroz normal.

Agora é hora de juntar tudo. Em uma panela doure bastante alho e cebola – seja generoso. Junte os grãos de feijão preto, outra folha de louro e o arroz cozido. Tempere sal e pimenta (e cominho, se você gostar). Mexa bem, prove o tempero e pode desligar a panela.
Na hora de servir, se optar pelo alho, basta cortá-lo em fatias,  fritar em um pouco de óleo, escorrer em papel toalha e salpicar por cima do prato. Coentro fresco e pimenta dedo de moça beeem picadinha também finalizam lindamente, ou então faça como eu e use bacon.
Fritei uns cubos e algumas fatias finas, para dar aquele visu.
Para acompanhar, mandioca cozida e um ovo com a gema molinha, pq eu sou dessas ;)

Gostou deste jeito diferente de comer arroz com feijão? Dá uma chance para o prato que garanto não vai se arrepender <3

 

UM BACON É UM BACON

bacon_salumeria_taranto

Você já deve ter ouvido a expressão bacon é vida, certo? Bom, talvez para alguns seja mesmo e, para esses, o bacon da Salumeria Taranto é tipo uma vida no paraíso.
Ele é produzido artesanalmente por um grande amigo, Fábio Taranto, que trata a charcutaria como ela deve ser tratada – com respeito, tradição e qualidade impecável. Além deste bacon defumado a frio e maturado, ele produz delícias absurdas como linguiças frescas, inclusive a versão com limão siliciano (minha favorita) e também com queijo Canastra, além de Chistorra, Bastoncini, Salame e outros embutidos que você não encontra em qualquer lugar. Para conhecer o trabalho dele clique aí no link e siga-o nas redes sociais @salumeriataranto
Ah! E vale avisar: Este post NÃO é patrocinado, nem poderia ser pq o Fábio é meu compadre, praticamente um parente, certo?  ;)  Mas coisa boa pode e deve ser divulgada.

Vareniki

Nem vou dizer que voltei de novo. Quem me acompanha no Instagram (@faby_zanelati) sabe que minha vida deu outro plot twist e, dessa vez, um beeeeem grande <3

Então, sem mais delongas vou pular a parte da aventura que virou minha vida e vou logo deixar aqui uma receitinha que é simplesmente d e l i c i o s a e vem lá da Ucrânia e das bandas da Rússia e Polônia. Como estamos em plena #Rússia2018, achei que era o prato perfeito para o último feriado e ó, só sucesso, tipo a seleção francesa (não falemos sobre futebol, ok? rs).

O prato chama Vareniki e trata-se de uma massa com recheio de batata e cebola, que lembra o dumpling. É o tipo de prato que prova que poucos ingredientes fazem grandes receitas e eles podem ser os mais simples possíveis, tipo trigo, batata e cebola – incrível não é? Adoro esse poder de pegar ingredientes básicos, do dia-a-dia, e transformar em um prato bacanudo, saboroso e surpreendente.

O preparo tem etapas e é bom pra você fazer naquele dia em que está de bem da cozinha, tomando uma tacinha de vinho e ouvindo música boa ou rindo com a família e os amigos. Aliás, este é um prato que tem cara de grandes encontros com quem a gente ama… eu diria que é um prato super família ;)

receita de vareniki

O recheio

A primeira coisa a fazer é cozinhar a batata. Para esta receita você pode usar 500gr de batata e ao final vai ter cerca de 40 varenikis de tamanho médio. Cozinhe as batatas até ficarem macias e passe-as pelo espremedor. Tempere com sal, pimenta do reino e noz moscada ralada na hora – ela é importantíssima nesta receita ok? Capricha.

Reserve a batata amassada e corte em cubos pequenos ou em tirinhas bem finas 600gr de cebola. Leve a cebola para uma panela larga, tempere com sal e deixe dourar, caramelizar. Leva tempo e exige paciência mas vale a pena, believe me.

Quando a cebola estiver moreninha junte 2/3 dela na massa de batata amassada e misture bem. Reserve o restante para finalizar o prato.

receita de vareniki

A massa

Em uma tigela grande coloque 350gr de farinha de trigo, faça um buraco no meio da farianha e junte 200ml de água quente com 30gr de manteiga (derreta a manteiga na água quente) e uma pitada de sal. Agora vá misturando com as mãos até formar uma massa. Leve para uma bancada enfarinhada e sove por uns 15 minutos (eu usei batedeira com gancho de massa). Depois de sovar, faça uma bola com a massa e deixe-a descansar fora da geladeira por 30 minutos. Passado este tempo, pode abrir a massa com uma máquina de macarrão ou rolo. A espessura não precisa ser finíssima, mas também não pode ser grossa demais. Com um cortador (ou a boca de um copo grande) corte círculos da massa e coloque uma colherzinha do recheio em um dos lados. Passe um dedinho de água na borda da massa e una, formando um pastelzinho.

Coloque uma panela grande no fogo e ferva uns 2 litros de água com um pouco de sal. Assim que a água ferver, coloque os varenikis para cozinhar – uma pequena quantidade de cada vez. Quando eles sobem é só esperar 1 minutinho e pronto.

receita de vareniki

Retire os varenikis cozidos com a escumadeira e coloque em uma frigideira larga com um pouco de manteiga. Não precisa escorrer o vareniki e nem passá-lo por água fria, ok? É o amido da farinha e a manteiga que farão o “molhinho”. Faça o processo com toda a massa, coloque em uma travessa e cubra com a cebola reservada.

Sirva quente, com um bom vinho. Se quiser, finalize também com parmesão ralado ou junte uma pequena quantidade à massa de batata, se você for queijólotra ;)

Bolo de Maçã e Especiarias

Nada melhor pra voltar do que um bolo, desses que perfumam a casa toda e trazem sensação de aconchego, de que tudo sempre vai ficar bem. Bolos são uma mistura de amor com fermento e aqui tem também maçã e especiarias. Facinho e quase infalível.

Em uma tigela grande junte 1 xícara de farinha de trigo, 1 xícara de farinha de aveia, 2 xícaras de açucar (usei 1 de açucar comum e 1 de mascavo, mas pode usar só um ou outro), 1 colher sopa cheia de cacau em pó (não é o achocolatado), 1 colher chá de canela e pitadas generosas de noz moscada ralada na hora, cravo em pó e baunilha (usei uma que eu tenho que já vem só o pozinho, mas você pode tranquilamente incluir as sementinhas da fava, extrato ou eliminar se quiser), além daquela pitadinha marota de sal que faz o bolo ter aquela alegria. Misture tudo.

Descasque e pique 3 maçãs em cubinhos – o ideal é uma maçã média, mas eu só tinha daquelas pequeninhas então usei 4 e achei que faltou um pouquinho. Leve as cascas para o liquidificador com 3 ovos e 1 xícara de óleo vegetal. Bata bem até ficar homogêneo.

Junte a mistura batida no liquidificador aos secos da tigela. Acrescente a maçã picadinha, 1 colher sopa de fermento em pó e misture tudo.

Coloque em forma untada e enfarinhada e leve ao forno pré aquecido (200C) por 45 minutos. Curta o aroma que vai sair da sua cozinha enquanto coa um café fresquinho.

Espere amornar para desenformar. E na hora de servir, seja generosa na fatia <3

bolo de maca
* Post dedicado à minha amiga Khrisna Ferraz, de quem sinto saudades <3

Sopa de abóbora assada com especiarias

Quem aí toma sopa até no verão levanta a mão! o/

Pra mim não tem estação ou refeição certa para uma boa pratada de sopa. Amo. Pode ser de qualquer legume, com ou sem carne, versão caldinho, creminho, o que for eu traço. Tenho paixão por canja, sopa de feijão e aquele bom e velho minestrone. Só que as vezes o tempo é curto demais e uma sopa que sempre quebra um galho e é super prática é essa de abóbora com especiarias.

O truque, se é que se pode chamar assim, é cortar a abóbora e levar pra assar. Disponha os pedaços de abóbora na assadeira e tempere com especiarias a seu gosto. Eu uso sal, pimenta, cominho, canela em pau (só para perfumar). Cobre com papel alumínio e leva ao forno pré aquecido até que ao espetar a pontinha da faca, a abóbora esteja macia.

Depois, é só retirar a polpa assada com a ajuda de uma colher e reservar.

Em uma panela levo cebola e alho para dourar em um fio de azeite. Junto um pedaço de gengibre ralado e a polpa da abóbora assada e um pouco de caldo de legumes. Tem que misturar e deixar cozinhar um pouco, até começar a engrossar. Quando está no ponto que eu gosto, acerto o tempero, junto um pouquinho de noz moscada ralada na hora e uso o mixer direto na panela para deixá-la mais lisinha e homogênea, mas nada impede de serví-la mais rústica (quando a preguiça bate forte, vou de rústica) ou de usar o liquidificador.

Na hora de servir, croutons, iogurte, azeite e pimenta do reino moída na hora são ótimos para finalizar.

Dá para fazer a mesma sopa substituindo a abóbora por inhame, beterraba, cenoura, batata doce e mandioquinha, todas igualmente deliciosas.

Salada Oriental

Voltei. Vocês também estão sendo sugados por uma máquina que tem feito o tempo correr absurdamente rápido e descontrolado? Ou será que estou envelhecendo e a sensação do tempo está diferente agora? #reflexões, rs. Teorias sobre o tempo à parte, estou de volta e hoje trago uma maravilhosidade para este blog – uma salada deliciosa que minha amiga Luciana Betenson preparou em nosso Natal antecipado (sim, já tivemos ceia de Natal esse ano – no comecinho de novembro) (eu não disse que tem uma máquina do tempo sugando a gente?) e que já virou top na minha cozinha.

Eu amo repolho mas se você não curte pode substituí-lo por acelga ok? Vamos lá.

Corte 2 repolhos brancos (pequenos/médios) em tiras beeeeeem fininhas e 1 xícara (chá) de cebolinha. Reserve.

Quebre com as mãos um pacote de macarrão instantâneo (Miojo, né gente?). Leve uma frigideira ao fogo com 2 colheres (sopa) de manteiga, 1/3 xícara (chá) de gergelim branco, 1/2 xícara (chá) de amêndoas em lascas, deixe fritar um pouco e junte o macarrão já quebradinho. Apure na frigideira até ficar dourado e crocante. Retire do fogo e deixe esfriar.

Prepare o molho:
Leve ao fogo 1/4 xícara (chá) de shoyu, 1/4 xícara (chá) de azeite e óleo de gergelim (na proporção que você gostar mais – lembrando que o óleo de gergelim dá aquele sabor oriental bem característico, então use como preferir), 2 colheres (sopa) açucar mascavo e 1 colher (chá) de sal. Misture tudo e deixe no fogo até o açucar derreter. Retire do fogo e deixe esfriar.

Agora é só montar a salada numa travessa bem bacana. Junte o repolho e a cebolinha, o macarrão frito e tempere com o molho. Rende bastante mas o repolho murcha depois de temperado. Sirva a salada assim que temperar.

Obs: Na minha versão acrescentei passas brancas pq né, #freeuvapassa. Aceitem <3

Geleia de maracujá

Se engana quem pensa que geleia é coisa só pra comer com torrada e pão! Geleia é uma ótima opção pra variar diversos pratos salgados – vai super bem com carnes grelhadas, no peixe e, acrescentada no molho da salada, dá um sabor todo especial e agridoce. Essa versão caseira é feita com a entrecasca do maracujá e é facílima de preparar.

A receita vem da minha amiga Rachel Chamusca que publicou essa delícia em sua timeline e que, quando eu disse que ia fazer,  logo me avisou: “você vai amar o perfume que invade a casa, enquanto a geleia cozinha em fogo baixo, loura”. Chelzinha do céu, você tinha TODA razão!
Então, vamos olhar pra geleia com mais carinho e produzir nossa própria e arrasadora versão maracujá que, além de perfumada e gostosa, ainda aproveita a fruta praticamente inteira, e isso a gente gosta muito não é mesmo?

O primeiro passo é descascar 3 maracujás (usei o azedo, o doce que está na foto foi só pra fazer firula), tirando só a partezinha amarela, tentando descascar fininho. Corte-os ao meio, retire as sementes e leve para o liquidificador com mais ou menos 1 copo de água, coe e reserve na geladeira. Eu coei o meu suco em uma peneira bem grossa, então o resultado tinha pintinhas da semente (achei lindo), mas se você preferir uma versão mais “limpinha” coe em peneira fininha ou em um pano limpo.

Retire a película interna da casca do maracujá – é fácil, só puxar que ela sai. Deixe a entrecasca bem limpinha, corte em pedaços grandes e leve ao fogo em uma panela de pressão com 2 copos de água. Cozinhe por 15 minutos. Abra a panela (depois de retirar a pressão), escorra e bata a entrecasca no liquidificador. O resultado é uma massa, que você vai levar à panela e acrescentar 1 xícara de chá de açucar para cada xícara que obter dessa massa (a quantidade de massa vai sempre depender do tamanho dos maracujás).  Junte o suco reservado, mexa e deixe no fogo baixo até reduzir, em panela destampada. Tome cuidado porque quando ela já está bem reduzida, pode espirrar um pouco.

Agora, pega aqui a dica da Chel: “A pectina da entrecasca deixa o doce com a maravilhosa consistência de geléia!”. Garota esperta! <3

Use sua geleia para acompanhar aquele filé de peixe ou a carne grelhada. No molho da salada, junte 1 colher de chá ao azeite e ao limão (ou vinagre) e ganhe uma camada delícia de sabor na saladinha do dia a dia. Ou, abuse das torradinhas ou panquecas americanas e deixe o café da manhã ou lanche ainda mais gostoso.


Chutney de tomate

A receita hoje tem origem na Índia e um pezinho na Itália. O chutney é um molho agridoce com especiarias (e às vezes também picante) de origem indiana pelo qual eu sou doida. A versão mais conhecida é de manga mas dá pra fazer com várias frutas, inclusive tomate. Aqui usei o italiano, beeem maduro, ótimo para aproveitar aqueles que já estão com os dias (ou horas) contados. O chutney vai bem com queijos, carnes, embutidos, vira uma base de molho incrível para o peito de frango em cubinhos e vai até (e muito bem) no hambúrguer – inclusive foi o destino deste potinho da foto ;)

A primeira coisa a fazer é tirar a pele dos tomates (já mostrei um jeito fácil aqui ó) – 1 kg de tomate rende um pote pequeno (cerca de 300gr) de chutney. Já sem a pele, corte o tomate em cubos e pode manter a semente se quiser.

Em uma panela refogue uns 4 dentes de alho amassados e uma cebola roxa grande picada em um fio de azeite. Quando dourar acrescente o tomate e mexa. Agora é hora de juntar mais ou menos 1 colher (sopa) de gengibre ralado, 1 pimenta dedo de moça (sem sementes) picadinha, 1 xícara de vinagre de arroz, 1 xícara de açucar mascavo, 1/2 xícara de açucar branco, uma pitada de sal e umas pitadas de: cravo em pó, canela, cominho e pimenta do reino, tudo a gosto. Lembrando que é bom adicionar as especiarias aos poucos e ir provando. Mexa bem, abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar e reduzir por uns 50 minutos. Dependendo do tomate, será preciso acrescentar água durante o processo. Neste meu eu não precisei acrescentar pq o tomate soltou bastante líquido, mas se o seu não soltar vá juntando um pouco de água quando for preciso.

A ideia é que ele reduza e vire um molho grosso, encorpado. Daí é você quem decide – se quiser uma versão mais rústica, sirva desse jeito, ou, para uma versão mais delicada, use o mixer ligeiramente. Quando ele estiver bem reduzido, desligue o fogo e deixe esfriar.

Depois de frio, guarde em recipiente de vidro esterilizado e com fechamento hermético e mantenha em geladeira. Dura umas duas semanas, mas sempre acaba antes ;)

Bolo encharcado de laranja

Primeiramente, salve Rita Lobo!
Vem dela a receita desse bolo que entrou para o top 5 da vida confeiteira dessa que vos escreve. Bolo sem farinha de trigo, sem fermento, molhadinho, bom pra comer gelado… esse bolo é ~diferentão~ mas, até por isso, é de comer rezando.

Como a Rita não falha nunca, segui a risca a receita e posso garantir: não tem erro.
Ah! A dica preciosa é: faça no dia anterior que for servir. É, eu sei que complica um pouco, mas o resultado compensa – o bolo vira uma esponja e absorve toda a calda (daí o “bolo encharcado”, captou?). Pode servir em temperatura ambiente ou geladinho. Também pode acompanhar com um chantilly batido… e ó, bolo que faz bonito em sobremesa. Vai com fé!

Para o bolo

  • 8 ovos
  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • 1 ¾ xícara (chá) de farinha de amêndoas (cerca de 200 g)
  • raspas de 2 laranjas
  • 2 colheres (chá) de canela em pó
  • manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar a forma (*)

Para a calda e montagem

  • 2 xícaras (chá) de caldo de laranja peneirado
  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • 1 laranja em gomos para decorar

Modo de preparo

Do bolo

  1. Preaqueça o forno a 180 ºC (temperatura média). Unte com manteiga uma fôrma redonda, de fundo removível e 24 cm de diâmetro. Polvilhe com farinha de trigo, chacoalhe e bata sobre a pia para retirar o excesso.
  2. Numa tigela pequena, quebre um ovo de cada vez, transferindo a claras para a tigela da batedeira e as gemas para outra tigela grande – se um ovo estiver estragado, você não perde a receita.
  3. Junte às gemas o açúcar, a canela, as raspas de laranja e misture bem com o batedor de arame até formar um creme. Reserve.
  4. Na batedeira, bata as claras até o ponto de neve: comece em velocidade baixa, quando espumar aumente a velocidade gradualmente até ficar firme.
  5. Misture a farinha de amêndoas ao creme de gemas. Acrescente ⅓ das claras em neve e misture bem com a espátula para incorporar. Junte o restante das claras e misture delicadamente com a espátula, fazendo movimentos circulares, de baixo para cima, mas sem demora – o bolo não leva fermento, é o ar das claras em neve que vai dar leveza e fazer a massa crescer.
  6. Transfira a massa do bolo para a fôrma e leve ao forno para assar por cerca de 40 minutos. Para verificar espete um palito no centro: se sair limpo está pronto, caso contrário deixe assar por mais alguns minutos. Enquanto o bolo assa, prepare a calda.
  7. Retire do forno e deixe o bolo esfriar completamente antes de desenformar, a massa é delicada e pode quebrar – como não leva farinha nem fermento, o bolo murcha levemente ao sair do forno, não se assuste é assim mesmo. Depois que absorver a calda, ele incha novamente.
  8. Obs: caso não encontre a farinha de amêndoas, compre 200 g de amêndoas sem pele e bata, aos poucos, no processador (ou liquidificador) até formar uma farinha.

Da calda e montagem

  1. Numa panela pequena, misture o açúcar com o caldo de laranja. Leve ao fogo baixo e deixe cozinhar até ferver e todo o açúcar dissolver. Transfira a calda para uma tigela e deixe em temperatura ambiente para esfriar.
  2. Assim que estiver frio, abra e retire o aro da fôrma; cubra o bolo com um prato e vire de uma só vez para desenformar. Com cuidado, passe uma faquinha para descolar o fundo da fôrma. Desvire o bolo num prato de bolo fundo (ou com borda alta) – lembre-se que esse bolo é encharcado, com muita calda.
  3. Fure toda a superfície do bolo com um palito de dentes e, com paciência, vá regando toda a calda sobre a massa e laterais do bolo – dê intervalos para que o bolo possa absorver a calda. O bolo leva cerca de 4 horas para absorver toda a calda e ficar encharcado. Decore com os gomos de laranja e sirva a seguir.
  4. Obs: se preferir, deixe o bolo absorver toda a calda de um dia para o outro na geladeira. Ele fica ainda mais gostoso!

(*) para uma versão sem glúten use farinha de arroz ou de amêndoas para polvilhar a forma.

Trufas de tâmaras, tahine e cardamomo

Antes de começar preciso avisar que os puristas, doceiros e aqueles que acreditam no poder salvador do chocolate ficarão meio de mal de mim depois dessa receita. Também sei que vai parecer coisa da filha do Gil, mas… me dá uma chance? ;)

Essa receita foi inspirada em um post no Instagram da Nadia, uma iraquiana que vive na Inglaterra e tem um blog escândalo de lindo. Uma trufa zero açucar que me encheu os olhos e me deixou intrigada – tahine? na trufa? A única maneira de saber se era bom era testando, e foi isso que fiz. Desde então, acabei alterando um pouco a receita e hoje trago a versão final, uma opção bem gostosinha para quem reduziu ou cortou açucar ou apenas para quem não quer jacar loucamente durante a semana. Eu, avessa a doces e não tão fã de chocolate, curti. Abra sua mente e vem comigo…

Para a base da trufa você vai levar ao processador: 200gr de grão de bico cozido e escorrido (usei o de caixinha), 1 xícara de tâmaras sem caroço (se ela estiver durinha, deixe de molho em água fervente por 15 minutos antes) e 4 colheres (sopa) de tahine (pasta de gergelim). Basta processar até obter uma massa homogênea.
Coloque a massa obtida em uma tigela e junte 2/4 xícara de farinha de aveia, 4 colheres (sopa) de cacau em pó e 1/2 colher (chá) de cardamomo em pó e misture bem. Usei um tico de nibs de cacau, mas é opcional e só para quem curte um amarguinho (eu!).

***
um alerta amigão:
Como você notou, essa trufa não tem açucar e, portanto, não é doce. O doce dela vem da tâmara e só. Então, se você espera aquela doçura de uma trufa, talvez essa receita não seja pra você. Porém, se quiser dar uma chance mas preferir algo um pouco mais doce, acrescente um bocadinho de açucar de coco ou use um chocolate em pó meio amargo ou normal. Aqui usei cacau, que também é zero açucar.
Depois não diga que não avisei, ok? ;)

***

Voltando à trufa. Com a massa bem homogênea modele as bolinhas e finalize passando pelo cacau em pó (ou chocolate em pó, se estiver usando).
A finalização também rola com castanha triturada (na da foto usei amêndoa mas pode ser nozes, pistache, avelã), coco ralado, nibs de cacau triturado (para os ousados) e até mesmo gergelim, como na receita original da Nadia.

Fácil, não é? Gosto dela geladinha mas vai bem em temperatura ambiente, acompanhando o cafezinho ou até numa sobremesa para o pessoal mais fitness (que não é o meu caso, cof, cof, cof).

Quem fizer volta aqui pra me contar o que achou?
#trufa #zeroaçucar #chocolatefitness 

Couve flor picante assada

Minha última descoberta é que deram um  nome para minha fase de vida atual: sou uma reducitariana e nem sabia. Isso quer dizer que pertenço ao grupo de pessoas que não deixaram de comer carne mas reduziram bastante o consumo – no meu caso, a carne ficou restrita apenas ao finais de semana. E como por aqui não substituímos carne por PTS (que eu adoro) acabamos focamos bastante nos vegetais e em novas maneiras de prepará-los. E tem rolado tanta coisa gostosa! Uma delas é essa couve flor, feita no forno e tão fácil que dá até vergonha chamar de receita.

Precisa cortar a couve flor em fatias médias. Não se preocupe porque alguns floretes acabam desmanchando, não tem problema. Depois essas fatias são lambuzadas ligeiramente com azeite e temperadas com sal e pimenta. Em um pratinho vai fubá (o suficiente para empanar a quantidade de couve flor que você está preparando), sal, pimenta e páprica picante a gosto. Mistura tudo e passa as fatias de couve flor nessa misturinha, dos dois lados, pressionando levemente para “empanar”. Numa assadeira forrada com papel manteiga untado com um fio de azeite, é só acomodar a couve flor, regar com um pouquinho mais de azeite e levar ao forno pré aquecido 180C até dourar – vire no meio do processo para dourar os dois lados.

Para acompanhar preparei um molhinho com iogurte, azeite, mel, sal e pimenta.

Viu? Couve flor não vira só salada, gratinado e fritura não. Ter virado reducitariana me mostrou uma infinidade de possibilidades nos vegetais e cada dia eu me apaixono mais por eles.

E você, tem um jeito gostoso de preparar couve flor? Conta aí ;)