sh Category Archive for "sopas, caldos & cremes" | Pimenta no Reino

Sopa Tailandesa de frango e côco

As fotos, como vocês podem ver, não ficaram boas, mas o sabor dessa sopa…hmmmmm… não é bom, é ótimo.
A culinária tailandesa tem uma característica muito forte de misturar sabores com o intuito de despertar os sentidos de quem a prova. Ora doce, ora salgada, ora picante e às vezes com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, mas sem que os sabores “briguem”, ao contrário, se tornem harmônicos. Eu acho que é bem isso que acontece nessa sopa.

Vou te contar como foi que eu fiz essa sopinha aí que encantou minhas convidadas…

Pra começar cozinhei na pressão um peito de frango com osso, apenas em sal e louro. Depois de cozido, desfiei e reservei o frango e o caldo que se formou. Aqui cabe uma observação – você ao invés de desfiar pode cortar o frango em cubinhos. Eu já provei dos dois jeitos e acho que em cubinhos fica melhor esteticamente falando mas o sabor não muda, então vai do gosto de cada um mesmo.

Numa panela grande coloquei um fio de azeite, cebola roxa cortadas em pedaços beeem pequenos e alho bem picado. Cozinhei até a cebola ficar transparente, juntei gengibre ralado (cerca de 2 colheres de sopa), juntei o frango e coloquei o caldo do seu cozimento e deixer ferver (se necessário acrescente mais água). Depois de fervido, juntei 800ml de leite de côco (eu fiz uma quantidade para 12 pessoas), deixei ferver mais, acertei o sal e depois de desligado acrescentei 1 pimenta dedo-de-moça sem semente muito bem picadinha e o caldo de 1 limão.
Depois de colocar o limão a sopa precisa ser servida imediatamente.
Para finalizar, já no prato, basta salpicar uma quantidade generosa de coentro fresco e provar a delícia.

E com esse frio siberiano que está fazendo aqui… yummy… que vontade que deu.

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar

Caldinho de feijão

No início dos anos 90 eu conheci uma garota chamada Gorete. Na época, nós duas éramos solteiras, independentes, morávamos sozinhas e tínhamos, por assim dizer, o espírito …livre. Com essas características nós duas acabamos por nos tornar amigas e, juntas, fazíamos o que duas garotas de 20 anos, livres e financeiramente independentes fazem numa cidade como São Paulo – se divertem. No nosso caso, se divertem muito.

Em nossas noitadas e farras eu acabei descobrindo a felicidade que podia existir em um (ou dois, ou três, ou…) copo de whisky bom e foi então que eu conheci a pior de todas as inimigas que um ser humano pode ter: a ressaca. E olhe que estou falando de ressaca de whisky bom hein?! Nem vamos entrar no mérito de ressacas de bebidas vagabundas… porque essas coisas a gente risca do passado, não é mesmo?

Pois bem, foi Gorete quem me ensinou qual é a maior arma de todas para curar a ressaca – a comida. Muita comida e, como ela própria fazia questão de pregar, comida com “sustância”, muita sustância.
Essa era sua teoria, fundamentada depois de muitas e muitas experiências etílicas – para aplacar a sensação horrorosa que nos consome no day after, nada melhor do que comer muito e comer bem que é para, segundo ela, o corpo recuperar as forças(!)
E foi a partir dessa filosofia incontestável que eu descobri, por exemplo, que um prato de feijoada tem efeito curativo sobre o banzo pós-alcoólico, assim como muitas outras comidinhas que minha amiga Gorete preparava no dia que se seguia depois de festas memoráveis. Coisas levinhas como cozidos imensos, feijão preto com muita carne, caldo de mocotó e outras iguarias do gênero.
Era impossível passar ilesa pela cozinha de Gorete, paraibana arretada, dona de segredos, temperos que até hoje eu nunca soube quais eram, uma mão de fada para cozinhar e uma risada fácil, calorosa e acolhedora. Assim era Gorete.

Infelizmente a vida, em dado momento, acabou por nos colocar em caminhos diferentes e nesses caminhos a gente se perdeu uma da outra. Hoje eu não sei por onde andam fumegando as panelas da minha doce amiga mas hoje, enquanto eu preparava esse caldinho de feijão com a finalidade de curar uma mega ressaca, foi dela que me lembrei com muita, muita saudade.

Estivesse ela comigo, com certeza teria dito que o caldo precisaria de mais carne, de mais sustância. Um caldinho de feijão da Gorete era praticamente uma feijoada!
Porém, na condição de arremedo de ser humano em que me encontro hoje, tudo que eu pude produzir foi esse caldo de feijão preto que, mesmo não tendo toda a sustância recomendada por minha amiga, operou milagres nessa que vos escreve.

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Fazer caldinho é tão fácil que mesmo estando um trapo (presente!) é possível dar conta do feitio…

Numa panela tem que dourar (tudo muito) cebola, alho, bacon e linguiça (eu usei a Josefina), botar uma folha de louro, pimenta vermelha picada e juntar o feijão que já foi cozido e batido no liquidificador com um pouco do caldo. Daí, é só deixar apurar até ficar beeeem grosso.

Na hora de tomar, vai por cima bastante coentro picado, mais pimenta e bacon douradinho.

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Go, por onde anda você, minha amiga?

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Agora alguém pode, purfa, desligar a Terra que não para de girar?!
Agradecida.

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar

Dia dos Namorados – Entrada: Creme de cenoura, manga e gengibre

Essa é a minha sugestão de entrada para o Dia dos Namorados – um creme delicado e quentinho (perfeito se você estiver num frio congelante como o daqui), com uma mistura de sabor muito interessante por conta da manga e levemente picante por causa do gengibre (que, dizem, é afrodisíaco…cof, cof, cof). Não tem quem não goste desse creme, garanto. E o melhor? É super simples de fazer.

Cozinhe 4 cenouras médias descascadas junto com uma metade de uma cebola espetada com cravos e uma folha de louro. Você pode cozinhá-las também em caldo de legumes – mas só se for um caseiro, tá? Os caldos em tablete tem um sabor marcante e esse creme é delicado demais para eles.

Em uma panela esquente um fio de azeite e leve para suar (e não dourar) a outra metade da cebola picadinha. Agora, leve para o liquidificador as cenouras cozidas e a cebola que você passou pelo azeite. Junte um pouquinho da água do cozimento das cenouras para ajudar e bata até virar um creme. Retorne esse creme para a panela, em fogo baixo, e junte **1/2 xícara de suco concentrado de manga e mais ou menos 1 colher de chá de gengibre ralado.

** Veja bem, a quantidade de suco e gengibre pode variar de acordo com teu paladar. Se você quiser um creme com gosto sutil de manga, diminua a quantidade de suco; se prefere um creme menos picante, coloque menos gengibre. Pense que a base do creme é a cenoura, que é adocicada, e que a manga e o gengibre vão complementá-la e devem estar harmoniosos, ou seja, não deve ter apenas gosto de manga e muito menos só de gengibre (que, usado em demasia, pode detonar uma receita). Essa dica vale para quem tem um certo receio de misturas exóticas e de temperos fortes – comece devagar e vá experimentando até que esteja a seu gosto.**

Voltando ao creme… Depois de juntar o suco e o gengibre, misture bem, tempere com sal e pimenta branca, um pouquinho de noz moscada ralada na hora, deixe os sabores se encorparem, desligue o fogo e sirva quente.

Aqui eu dei uma finalização que julguei perfeita – sementes de papoula e um pedacinho de pimenta dedo de moça – mas você pode finalizar também com creme azedo e croutons ou apenas com ervas de sua preferência.

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar

Minestrone

O frio voltou – e, na boua, já tá ficando chato esse vai e volta sem fim – e a boa pedida como sempre é mergulhar no caldeirão de sopa.
E o que tem o minestrone de diferente? Geralmente tem feijão branco, legumes como cenoura, vagem, batata, repolho, erva-doce (que eu não gosto), macarrão -qualquer um, desde o de sopa até o mais tradicional espaguete ou linguine cortados – tomates em pedaços, ervas como manjericão, um bouquet garni com louro, salsa, cebolinha, bacon ou até presunto cru.

Eu sei, pode parecer o samba do crioulo doido mas minestrone é uma sopa fantástica, super encorpada, daquelas que, como diria minha avó, dão sustância. Com base em legumes picados grosseiramente, massa e ervas, o minestrone agrada em cheio aquelas pessoa que torcem o nariz pra sopa, manja? E por ser assim flexível, é o tipo de prato em que cabe a sua imaginação, as sobras da geladeira, os restinhos de espaguete do pacote e dá até pra misturar todas as sobrinhas de massas que você tiver, dá por exemplo pra colocar linguine, padre nosso e parafuso, tudo junto numa boa. Dá tudo comadre.

Aqui vai uma receita bem tradicional de minestrone. E se aí estiver frio como aqui, um caldeirão disso hoje vai cair muuuito bem.

Ingredientes:
repolho, abobrinhas, pimentão vermelho, 1 xícara de ervilhas frescas, batata, cenoura, cebola, 100 g de feijão branco, tomate maduro sem pele sem semente, 50 g de bacon, parmesão em lascas ou ralado, folhas de manjericão, alho, azeite, bouquet garni com salsa, louro, cebolinha, sal e pimenta a gosto

Deixe o feijão de molho na véspera. Cozinhe-o durante 1 hora e meia. Adicione as batatas, as cenouras, os tomates sem pele e sem sementes, o bouquet garni e metade do bacon, tudo cortado em pedaços. Cozinhe durante meia hora (não até os legumes já estarem bem cozidos). À parte, prepare um refogado com azeite, a salsa, o manjericão, a cebola, o alho, o pimentão vermelho, e o restante do bacon. Quando estiver pronto, coloque tudo na panela com o feijão e os legumes e retire o bouquet garni. Por último, acrescente o repolho cortado fino, junte o macarrão e as ervilhas e deixe no lume até a massa ficar no ponto.

Pra ficar lindo, queijo parmesão por cima e um filão de pão italiano pra ir tirando os tecos e molhando na sopa. Ave maria!

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Ah! sabem como eu gosto de minestrone? Com macarrão grandão de conchinha. Mas eu sou muito meiga né? ;-)

Afff… isso me deu uma baita fome.

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar

Sopa de cebola

Não adianta, esse frio pede, implora, clama por uma sopinha bem quente com torradinhas, parmesão ralado, queijinhos mils …hmmm.
São tantas opções que dá pra ir desde a canja basiquinha até minestrones e cremes divinos numa boa, tudo sem muito esforço porque, vamos combinar que fazer sopa não requer muita prática nem tampouco habilidade, certo?

O que dizer então da boa e velha sopa de cebola? Eu digo que ela é uma das minha minhas top 10.
Dá trabalho ralar ou cortar fininho 1 kg de cebola? É dá, mas a sopinha é tããão boa! Além do mais, esse vai ser o único trabalho pesado. O resto, eu garanto, é fácim.

Doura tua cebola já picada ou ralada em bastante azeite, quando ela estiver douradinha vá acrescentando aos poucos 1 colher de sopa de farinha de trigo peneirada (aos poucos para não empelotar!). Depois, é só botar uns 2 litros de caldo – pode ser de legumes, de carne, de frango (se for usar o de caixinha, para essa quantidade de água uns 2 tabletinhos está de boa). Acerte o sal (cuidado, se o caldo for de tablete já tem um pouco de sal) e uma pimentinha branca moída.
Deixe ferver até reduzir bem e o caldo dar uma engrossada. No final, junte uma caixinha de creme de leite, salpique cebolinha bem fininha e pode servir com torradinhas de sua preferência.

Se quiser o luxo, forre cumbuquinhas (que possam ir ao forno) com pão italiano, encha com sopa, salpique lascas de parmesão e leve o forno para gratinar.
Se for fazer assim, reze e peça perdão porque você vai pecar comadre. Ah, se vai!
Esqueceu que gula é pecado? ;-)

Continuando o circuito das minhas sopinhas top 10 tem o bom, delicioso, quentinho e saboroso capeletti in brodo – a coisa mais fácil de fazer depois de fritar ovo :-)

O segredo do capeletti in brodo está quase todo no caldo. Óbvio que a massa também tem que ser boa e, particularmente, as que eu comi no Rio Grande do Sul, uns capeletinhos caseiros e pequenininhos…afff… aqueles são de arrasar – deliciosos. Mas, se você não está no Sul não vai ser por isso que vai deixar de fazer o brodo. Dá pra usar massa fresca, aquelas da Frescarini por exemplo, mas não é o ideal não. Bom é usar massa seca, aqueles capelettis de pacotinho, que vendem na sessão onde fica o macarrão. Geralmente é importado – italiano – e com preço meio salgado mas o resultado é bom. Só não tente inventar como eu, que comprei uma dessas com recheio de funghi. Argh, argh, argh… não recomendo… o recheio era forte e o sabor esquisito não lembrava funghi mas sim sabão em pedra, daqueles azuis. Hohoho.

Enfim… (hoje estão tãão dispersa!)… Faça um bom caldo (uma base boa é de frango) puxadinho no azeite, com bastante salsinha, cebolinha, pimentinha branca e cozinhe nele o capeletti – coisa de 10, 12 minutinhos comadre, lembre que o ponto do capeletti é al dente.
Pronto. Pra servir, polvilha com um punhadinho de salsinha beeeem picadinha, um parmesão ralado honesto, um pãozinho italiano para acompanhar e mais nada.

Yummy…Delícia.

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar

Sopa rústica de mandioca

É rústica porque não fiz em formato creme, daquele mais lisinho, que você obtém batendo a mandioca no liquidificador ou passando-a pelo mixer na panela. Não, aqui a sobra da mandioca de domingo, já muito bem cozida e quase desmanchando, foi para a panela direto, onde já estava um caldo bem encorpado feito com carne e calabresa.

Na panela de pressão coloquei pedaços de coxão duro já limpos. Deixei até que a carne começasse a fritar e “pegar” na panela. Juntei um pouquinho de azeite, uma cebola e meia picada, uns 3 dentes de alho amassados, 2 folhas de louro e deixei tudo fritando até dourar. Cobri com água quente, temperei com sal e pimenta e levei à pressão até que carne estivesse ultra macia (coisa de uns 30, 40 minutos). Abri a pressão, juntei a calabresa em cubinhos pequenos, acrescentei a mandioca cozida e deixei tudo cozinhando (sem pressão) até virar um caldo grosso, mexendo vez ou outra para não grudar no fundo da panela. Parte da mandioca derreteu e outra parte ficou em pedacinhos macios, do jeito que eu queria.

Já no prato (ou aqui no caso, uma caneca para sopa) juntei um fio de azeite, pimenta do reino moída na hora, cebolinha picada e servi fumegante, pra espantar o frio e dar a sustança que eu tanto precisava. Aliás, sustança é o segundo nome dessa sopa, viu? Deus é mais!

Sopinha quente na frente da tv, de pijama e meia no pé… ah, o frio :)

Vamos declarar aberta a temporada de sopinhas, caldos e cremes? =)

*post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar

Sopinha de risoni, frango e legumes

Tá quente, tá frio, tá super quente, tá congelante… O tempo aqui em São Paulo virou uma verdadeira incógnita e anda oscilando mais do que o meu humor (se é que algo pode oscilar mais do que ele, rá!). Dia desses esfriou novamente e tudo que eu precisava era de comfort food, porque … bem, os dias não tem sido nada fáceis por aqui. Juntei a fome e a vontade de comer ou, o frio e a carência de algo quentinho e aconhegante e, claro, me joguei numa sopinha, daquelas da categoria que mais gosto: ligeiras e substanciosas.

Eu tinha cubinhos de frango temperados, que coloquei na panela com azeite e dourei, dourei e dourei. Juntei alho, cebola, dourei um pouco mais, coloquei cenoura, mandioquinha e batata em cubinhos, juntei água, louro, sal e pimenta e cozinhei até que os legumes estivessem macios. Acrescentei um punhado de risoni (esse macarrãozinho em formato de arroz) e alho poró picadinho. Foi o tempo do risoni cozinhar (jogo rapidíssimo) e estava pronta a sopinha, na qual eu só fiz juntar um punhadinho de salsinha picada.

Já no prato, queijinho ralado e pimenta moída na hora, um copo de vinho (que eu sou filha de Deus) e pão… pra comer na frente da tv, depois de um banho bem quentinho e rezando por um dia seguinte mais calmo. Amém!


(olha o risoni aí!)

* post originalmente publicado no blog Rainhas do Lar